segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Evolução do 'Jogo' e a sua função no Desenvolvimento

O ser humano tem a tradição do jogo, desde o inicio dos tempos. A vontade de jogar está inerente a nós, estimula-nos e muitas vezes não temos noção de quão importante este é no nosso desenvolvimento.

A importância do Jogo no Desenvolvimento Humano


Na Psicologia do Desenvolvimento, sabemos através de autores como Piaget, Vygotsky, Wallon, entre outros, que o jogo é uma actividade fundamental para o desenvolvimento infantil social, moral e intelectual. O desenvolvimento cognitivo de uma  criança resulta sempre da sua interacção social com o exterior e como dizia Vygotsky, “As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão o seu nível de ação real e moralidade.” (Vygotsky, 1989). O jogo tal como Schwartz o define é uma brincadeira que envolve regras, distinguindo-se este de uma simples brincadeira espontânea não estruturada. 

O desenvolvimento do "jogo" na infância tem várias fases distintas descritas por vários autores. Piaget referia que a criança passava numa primeira fase pela repetição consecutiva de acções que lhe davam prazer; numa segunda fase dos 2 aos 6 anos surgia o jogo simbólico onde a criança tenta já representar a realidade como a vê; e por fim o jogo com regras onde a criança se torna mais social, deixando a sua fase de desenvolvimento mais egocêntrica. Já Vygotsky tinha uma perspectiva um pouco distinta, referindo que o desenvolvimento do "jogo" ia sendo realizado ao longo da vida e sempre a partir dos 3 anos, idade a partir da qual a criança começa a conseguir interiorizar símbolos representando a realidade através do imaginário. Sendo assim, é através da imaginação que surge o jogo, no qual a criança através do contacto social, cria e constrói-se.

Tendo esta consciência, compreende-se o quão fundamental é integrar o jogo na educação, para uma melhor estimulação e desenvolvimento da criança, que lhe irá também garantir no futuro a sua visão e atitude perante a realidade. 

Mas não é só na infância que o jogo apresenta um papel importante. O jogo ensina-nos melhores estratégias de como reagir na vida adulta, dá-nos noções de moralidade, disciplina, e estimula a nossa criatividade. Todas estas características são extremamente úteis na nossa vida quotidiana.

Evolução do Jogo e seus impactos no Desenvolvimento 


O brinquedo é algo que tem vindo a alterar-se e a evoluir ao longo da nossa história, assim como os jogos que são jogados na  nossa idade adulta. Historiadores referem que os Neanderdhal realizavam jogos com um grande osso com o qual tinham de esmagar as cabeças da equipa inimiga. Dizem também que Júlio César criou imensos jogos de estratégia, não esquecendo que todas as batalhas realizadas nesses tempos remotos, envolviam uma grande necessidade de capacidade estratega. Além disso, não devemos esquecer onde começaram os grandes jogos olímpicos na Grécia antiga.

Existem vários tipos de jogos e dependendo do tipo de jogo, diferentes tipos de capacidades são necessárias. Existem jogos que requerem, por exemplo, capacidades de força/habilidade física, outros habilidades sociais e outros que envolvem apenas capacidades cognitivas. Consequentemente os vários jogos irão desenvolver habilidades distintas dentro dos vários ramos existentes. Quanto mais variedade de jogos é jogada mais capacidades são desenvolvidas.

Além disso os jogos ao longo da nossa história foram-se transformando e evoluindo, tendo existido vários factores para que tal acontecesse. Um dos factores mais importantes foi o avanço tecnológico, pese embora este possa ter trazido também uma componente menos socializante (o que não tem de ser necessariamente negativo). Ao longo da história sempre existiram também os jogos que não requeriam mais do que um jogador (jogo solitário), no entanto estes existiam e menor quantidade, sendo na grande maioria necessária uma vivência social. Com o avanço tecnológico, um novo tipo de jogo surge, o jogo digital. Foi então que nos primórdios dos computadores e consolas os videojogos surgiram e o jogo acabou por ter características mais solitárias, não sendo estritamente necessário para jogar ter outros amigos com quem o fazer. Os videojogos que não requerem mais do que uma pessoa para jogar são hoje chamados de "Jogos Offline", os quais existem muito para as consolas e computadores existentes. Com o desenvolvimento da internet, surgiram os "Jogos Online", os quais criaram uma revolução na vivência do jogo digital, podendo este tornar-se social sem requerer ter alguém ao nosso lado, mas sim cada um no seu computador ou na sua consola, comunicando um com o outro por via digital.  

Deste modo fará sentido dizer-se que os videojogos são algo "mau"? Não, de todo.Costumo referir que algo apenas se torna negativo quando é realizado em excesso, sendo esta afirmação para todas as coisas, já que tudo o que é excessivo traz consequências excessivas. Os videojogos (offline e online) são uma evolução do jogo, tal como muitas evoluções foram sendo feitas ao longo da nossa história e são a demonstração real de que o ser humano constantemente trabalha para ascender os limites da sua criatividade e imaginação, criando novos modos de viver a sua realidade.

Existindo este novo modelo digital de jogo, tal irá criar certamente transformações no desenvolvimento infantil, já que as crianças irão ser habituadas a lidar com este modo de jogo desde o inicio da sua existência. Por algum motivo vemos crianças de 5 anos a mexer num tablet melhor do que muitos adultos de 50 anos. No presente e no futuro certamente iremos verificar os efeitos destas novas modalidades de jogo, as quais já vamos tendo alguma noção através dos sujeitos das gerações de 80/90 (embora muito já tenha evoluído desde então). Deixo então essa deixa para futura investigação.  



Referências

PIAGET, Jean (1990) A Formação do Simbolo na criança. Editora: Livros técnicos e Científicos 

PIAGET, Jean (1972) Psicologia e Pedagogia.2ª Edição. Editora: Forense  

SCHWARTZ, Gisele (2003) Dinâmica Lúdica: Novos Olhares. Editora: Diversos

VYGOTSKY, Lev (2000) A Formação Social da Mente. 7ª Edição. Editora: Martins Fontes 

VYGOTSKY, Lev (1989) A Formação Social da mente. Editora: Martins Fontes 

WALLON, Henri (1981) A Evolução Psicológica da Criança. Editora: edições 70 

WALLON, Henri (1980) Psicologia e Educação de Infância. Editora: Editorial Estampa  

http://www.jogos.antigos.nom.br/artigos.asp

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